Nunca o agronegócio brasileiro cresceu tanto e esteve prestes a conquistar resultados tão grandiosos como neste ano, quando as receitas provenientes do campo deverão somar mais de 1 trilhão de reais, cerca de 10% mais do que em 2020, segundo o Ministério da Agricultura. É a primeira vez que o faturamento da agropecuá­ria atinge esse patamar, que quase triplicou em duas décadas.

No PIB o setor representa 7%, mas quando considerada toda a cadeia do agronegócio, que inclui serviços relacionados ao campo e à agroindústria, esse percentual sobe para cerca de 25%. Somente em relação às exportações, o Brasil deverá bater a marca dos 120 bilhões de dólares — outro recorde —, 20% mais do que o valor registrado em 2020.

A pandemia mexeu com a economia e os negócios no mundo todo.

Os números superlativos são a combinação de fazer mais e melhor no campo, com uma boa ajuda dos preços no mercado internacional. A expectativa é que a produção de soja alcance 136 milhões de toneladas, mais um recorde, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento, ainda que regiões importantes do agronegócio nacional tenham sofrido com geadas em julho. Somada a safra de milho — esta, sim, mais impactada pelas ondas de frio deste inverno —, a colheita de grãos deverá chegar a 254 milhões de toneladas, volume próximo ao de 2020, mas com uma receita quase 15% maior.

“O aumento no preço internacional das commodities vem exercendo um papel importante nos resultados do agronegócio”, diz o economista José Garcia Gasques, coordenador-geral de Avaliação de Políticas e Informação da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura. “Ao mesmo tempo, a produtividade do agro brasileiro continua a crescer em um ritmo de 3% ao ano, em média, o que é um ótimo resultado.”

A retomada econômica na China, nos Estados Unidos e em outros países que já vacinaram praticamente toda a população tem provocado uma corrida global por alimentos e outros produtos. Com isso, os preços subiram. Nos últimos sete meses, a soja teve uma valorização de mais de 20% no mercado internacional, seguida pela carne bovina e pelo café, de acordo com o Banco Mundial.

Em julho, as exportações brasileiras de carne bovina, suína e de frango superaram pela primeira vez a marca de 2 bilhões de dólares, com aumento de quase 10% no volume embarcado e de 24% nos preços. “Estamos produzindo mais e melhor, o que beneficia nosso setor neste momento de aquecimento da demanda por produtos alimentares”, diz Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal

O bom momento do agronegócio também é resultado do uso intensivo de tecnologias consolidadas e da adoção em massa de inovações que estão mudando a rotina das fazendas. Criadores de bovinos já utilizam sensores que são colocados nas orelhas dos animais com o objetivo de medir uma série de parâmetros de saúde, como a temperatura corpórea e os batimentos cardíacos.

Nas granjas, uma tecnologia semelhante é empregada para verificar desde mudanças nos fluxos de ar que possam prejudicar as aves até o nível de ingestão diário de alimentos e água. Na agricultura, sondas instaladas no solo e ligadas a sensores captam dados como carência de nutrientes e eventuais vulnerabilidades da lavoura. Os produtores rurais também começam a utilizar mais insumos à base de micro-organismos como alternativa a agroquímicos.

Cerca de 57% dos agricultores já empregam métodos de fertilização natural, segundo uma pesquisa da consultoria McKinsey realizada neste ano — e outros 47% pretendem reportar de maneira mais eficiente o impacto ambiental no campo, de acordo com estudo da PwC. “Não há outro caminho para a conquista de novos patamares de crescimento”, diz Mauricio Moraes, líder de agronegócio da PwC.

Fonte: Exame