A quantidade de cana-de-açúcar processada pelas unidades produtoras do Centro-Sul alcançou 45,01 milhões de toneladas na 2ª metade de junho, com aumento de 4,39% sobre o valor apurado na mesma quinzena da safra 2020/2021 – 43,12 milhões de toneladas. O estado de São Paulo registrou uma moagem de 26,46 milhões de toneladas (+5,37%), o que contribuiu para a recuperação parcial do atraso na produção observado nos meses iniciais da atual safra.

No acumulado desde o início do ciclo 2021/2022 até o final de junho, a moagem acumula queda de 8,45%. No período, a quantidade de cana-de-açúcar processada pelas usinas atingiu 210,93 milhões de toneladas, ante 230,39 milhões de toneladas no último ciclo agrícola.

Em relação ao número de usinas em operação, 254 empresas registraram produção até 1º de julho, contra 264 unidades em igual data do ano passado. Na última quinzena, 5 unidades iniciaram a safra 2021/2022.

Produtividade agrícola e qualidade da matéria-prima

Dados preliminares apurados pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) para junho, considerando uma amostra comum de 60 unidades, registraram produtividade de 80,9 toneladas por hectare colhido no mês, ante 90,9 toneladas observadas no mesmo período na safra 2020/2021 – queda de 11% no rendimento agrícola. 

“Estimamos que a área colhida até o momento supera em 2,5% aquela registrada no mesmo período da safra passada. Portanto, a despeito da retração de 8,45% observada na moagem, a safra 2021/2022 está avançada no Centro-Sul. A quebra acumulada na produtividade até junho (-10,5%) tem se traduzido em recuo de oferta de alguns produtos”, comenta Antonio de Padua Rodrigues, diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA).

A qualidade da matéria-prima processada na segunda quinzena de junho, mensurada a partir da concentração de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR), aumentou 0,83%, atingindo 141,81 kg por tonelada de cana-de-açúcar em 2021, contra 140,64 kg verificados na mesma quinzena do último ano.  No acumulado desde o início da safra até 1º de julho, o indicador de concentração de açúcares assinala 132,91 kg de ATR por tonelada de cana-de-açúcar, aumento de 1,39% em relação ao valor da safra 2020/2021.

“O clima seco tem prejudicado severamente a produtividade da cana-de-açúcar colhida, mas por outro lado essa condição estimulou a concentração de açúcares na planta”, analisa o diretor técnico da UNICA.

Produção de açúcar e de etanol

Na segunda metade do junho, 47,56% da cana-de-açúcar foi destinada à produção de açúcar, ante 47,39% registrado na mesma data de 2020. Como reflexo da maior proporção de matéria-prima direcionada à fabricação de açúcar, a produção do adoçante aumentou 5,63% nos últimos quinze dias de junho deste ano e atingiu 2,89 milhões de toneladas, contra 2,74 milhões de toneladas verificadas em idêntica quinzena do ano anterior.  

Nesse contexto, o volume fabricado de etanol alcançou 2,08 bilhões de litros na segunda quinzena de junho, sendo 858 milhões de litros de etanol anidro, alta 43,88% em relação a mesma quinzena da última safra, e 1,22 bilhão de litros de etanol hidratado. Do total fabricado de biocombustível, 118,56 milhões de litros foram provenientes do milho.

No acumulado desde o início da safra 2021/2022 até 1º de julho, a produção de açúcar alcançou 12,26 milhões de toneladas, contra 13,35 milhões de toneladas verificadas na mesma data do ciclo 2020/2021.  A fabricação acumulada de etanol, por sua vez, totalizou 9,63 bilhões de litros, sendo 3,42 bilhões de litros de etanol anidro e 6,21 bilhões de litros de etanol hidratado. Do total fabricado, 714,99 milhões de litros do biocombustível foram produzidos a partir do milho.

“A despeito da queda na moagem de cana-de-açúcar, a produção de etanol anidro segue com crescimento significativo, oferecendo amplo conforto para o atendimento da demanda interna”, explicou Rodrigues.

Vendas de etanol 

Em junho, as unidades produtoras do Centro-Sul comercializaram 2,45 bilhões de litros de etanol, registrando avanço de 1,1% em relação ao mesmo período da safra 2020/2021. Do total comercializado em junho, 199,52 milhões de litros foram destinados para o mercado externo e 2,25 bilhões de litros vendidos domesticamente.

No mercado interno, as vendas de etanol hidratado alcançaram 1,40 bilhão de litros em junho, com redução de 6,15% sobre o montante apurado no mesmo período da última safra (1,49 bilhão de litros). A quantidade comercializada de etanol anidro, por sua vez, registrou aumento de 27,86%, com 849,93 milhões de litros vendidos em 2021 contra 664,74 milhões de litros em 2020.

As vendas de etanol outros fins no mercado interno registraram queda 10,16% em junho, totalizando 106,30 milhões de litros comercializados.

No acumulado desde o início da safra 2021/2022 até 1 de julho, o volume de etanol comercializado pelas empresas do Centro-Sul soma crescimento de 9,94%, com 7,08 bilhões de litros. Do total, 415,10 milhões de litros foram destinados à exportação (queda de 15,63%) e 6,66 bilhões ao mercado interno (aumento de 12,05%).

Fonte: Agrolink