Os números mais atuais do poder de compra do brasileiro não são tão animadores. Desde 2015, a economia tem se expandido muito pouco e, em 2020, por conta da pandemia de covid-19, apresentou a maior redução da história. Já quando analisado um período mais longo, o Brasil atual está em um patamar muito melhor. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 2003 e 2020, o País passou de 181,8 milhões para 211,2 milhões de pessoas e, no mesmo período, houve aumento na classe média (C), conforme apontam dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV), com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). A mudança mais impactante foi a redução das classes mais baixas (D e E) a partir dos anos 2000 (que consistiam na maior parte da população) e a ascensão para a classe C, hoje sendo a maior parcela dos brasileiros. Esse cenário beneficiou o consumo de alimentos, assim como o de frutas e hortaliças. No topo da pirâmide, as classes A e B (com renda familiar muito próximo do poder de compra da população da União Europeia, por exemplo) também se expandiram no período e, atualmente, representam cerca de 30 milhões de brasileiros. Estes grupos, inclusive, estimularam o crescimento de seções/lojas especializadas de produtos premium/gourmet no segmento de HF.
Mesmo com esses avanços, a queda da atividade econômica vivenciada entre 2014 a 2016 afetou o rendimento da população e, nesses e nos anos seguintes, causaram retração da classe média (C). E, em 2020, mesmo com todas as perspectivas de uma recuperação econômica mais robusta, o início da pandemia em março desacelerou com força a atividade econômica, aumentou o desemprego e, consequentemente, diminuiu o poder aquisitivo da população. Conforme pesquisa da consultoria Plano CDE, os impactos foram sentidos especialmente nas classes mais baixas (D e E) – com muitas famílias dependendo do auxílio emergencial como principal fonte de renda – seguidas pela classe C.
A questão é: este cenário econômico mais restrito desde 2014/15 afetou o mercado de frutas e hortaliças? Tudo indica que sim. Porém, esse não é o único fator que influenciou (positiva ou negativamente) o consumo desses produtos. Assim, para uma averiguação mais completa dessas mudanças, a equipe da Hortifruti Brasil avaliou a última Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) sobre o perfil do brasileiro quanto aos hábitos alimentares, produzida pelo IBGE nos anos de 2017-2018, e a comparou com a anterior, de 2008-2009. Apesar de as informações da POF 2017- 2018 não capturarem o cenário atual da alimentação no período da pandemia (2020/21), a análise desses dados é importane, uma vez que incorpora a queda da atividade econômica a partir de 2014, bem com as mudanças de hábitos da população brasileira após quase 10 anos da última pesquisa.

Fonte: Hf Brasil