A acerola, uma fruta pequena, rica em vitaminas C é a aposta de produtores de Linha Ponte Queimada como um novo nicho de mercado. Em Venâncio Aires, o escritório da Emater-RS/Ascar destaca que não tem conhecimento de áreas comerciais, apenas para consumo de subsistência e maioria das famílias cultiva de dois a quatro pés da fruta.

A produtora Lisabete Inês Quoos Borges, 51 anos, conta que ela e o marido Abelar Fernando Borges, 53 anos, não conheciam a acerola. “Meu marido trouxe umas duas mudinhas e elas ficaram uns dias até que resolvemos plantar e ver o que era. Conforme ela foi crescendo a gente descobriu que era acerola.”

Lisabete destaca que em meados de setembro e outubro a árvore começa a florescer e em 30 dias já é possível ver as frutas. “Ela produz em camadas. Vai de outubro até o fim de março produzindo.”

A árvore mais antiga tem apenas sete anos, mas o casal tira, em média, 30 quilos de acerola por safra. “No início era estranho, uma novidade. Mas, depois, quando descobrirmos o gosto e tudo o que se pode fazer, além do suco que é tradicional na hora do almoço ou no lanche da tarde, faço doce, geleia e agora quero inventar um bolo do suco de acerola. Vamos ver se vai ficar bom”, conta a agricultora entusiasmada.

A produtora aconselha que a colheita da acerola seja feita nas primeiras horas do dia, ainda pela manhã. “Dessa forma você não vai ficar se coçando depois da colheita. Mas se fizer isso no fim do dia, você se coça todo”, sugere.

Com cinco árvores no pomar, a acerola é uma das frutas preferidas da família. “A gente congela uns 20 quilos por safra para ir consumindo ao longo do ano. A gente adora o suco de acerola. É uma fruta miúda e gostosa”, comenta Lisabete.

Nessa safra, o casal foi surpreendido com a procura pela fruta e começou a comercializar ela in natura e congelada para amigos e conhecidos. “Quando a gente começou era para o nosso consumo, mas agora já temos outros planos.”

Há 20 anos no cultivo do tabaco, a família decidiu tirar um sonho da gaveta. Lisabete e Abelar estão construindo uma estufa de morangos. “As primeiras 1,5 mil mudas devem chegar nos próximos dias”, cita.

Como foram surpreendidos com a procura da acerola, o casal pretende oferecer além do colhe e pague de morangos, acerola e hortaliças sem agrotóxicos. “Vamos ir para essa linha de alimentos. É um sonho de muito tempo, estávamos adiando isso há muitos anos”, enfatiza Lisabete.

Renda extra

Conforme o chefe do escritório da Emater de Venâncio Aires, Vicente Fin, a acerola é uma opção para, junto de outras culturas, gerar uma renda extra. “Ela entra muito na questão da segurança e soberania alimentar, pois é uma fruta rica em vitamina C e que pode estar na mesa do agricultor na sua época e se sobra ele ainda pode fazer uma renda extra.”

Todavia, Fin ressalta que o interesse por produzir a acerola em nível comercial depende da possibilidade de venda. “Nada adianta você cultivar um hectare de acerola e não ter onde vender. Mas depois que a Cooprova conseguir implementar sua sala de sucos pode ser uma grande aposta”, projeta Fin.

Mudas de acerola

Além do cultivo de acerolas, o casal descobriu uma maneira simples e eficaz de produzir suas próprias mudas. “A gente não limpa em baixo da árvore, algumas frutas acabam caindo e a natureza se encarrega de germinar essas sementes e quando as mudas já estão maiorzinhas a gente replanta”, conta a agricultora.

“As pessoas precisam conhecer a acerola e aprender a comer ela. É muito saudável e gostosa. Aqui em casa o suco é muito pedido. No fim de semana, tem vezes que substituímos o refrigerante pelo suco, algo bem mais saudável e rico em vitamina C.”

Fonte: Folha do Mate