Até agora, de Abril/20 a Nov/20, tudo correu às mil maravilhas para o setor de cana de açúcar no Brasil. E de Dezembro/20 a Março/21, a entressafra, o que podemos esperar?

Basicamente vamos tratar de preços e comercialização tendo em vista que a produção está praticamente terminada e confirmou uma produção recorde de açúcar e um rendimento agro-industrial excelente.

Mercado internacional

O avanço das vacinas para o Covid-19 traz esperança e entusiasmo aos mercados. A eleição de Joe Biden, que acabou com a apologia do conflito e está reduzindo incertezas e a aversão ao risco, além da sinalização de mais estímulos fiscais, tudo isto traz mais otimismo. O avanço da “segunda onda” e as medidas para sua contenção vêm na contramão deste otimismo. De forma geral, o sentimento é de uma melhora gradativa para a economia global.

Câmbio: a taxa de câmbio no Brasil oscilou na última semana entre 5,13 e 5,35 R$/US$, com média de 5,22 R$/US$, apresentando queda de 2,6% em relação a semana anterior. Para esta semana esperamos um dólar médio relativamente estável com viés de baixa.

Para a entressafra podemos considerar que a taxa de câmbio no Brasil sofra os efeitos da queda do US$ perante outras moedas, em função da redução de incertezas, e do fluxo de entrada de capital externo. Esta condição têm contribuído para a apreciação do Real. Por outro lado, sustos de natureza fiscal ou sócio-política provenientes do Governo Federal brasileiro ainda trazem volatilidade ao câmbio. Desta forma, pode-se esperar no médio prazo uma taxa de câmbio oscilando entre 5,15 e 5,30 R$/US$, ainda volátil.

Petróleo WTI: o preço médio semanal do petróleo WTI na semana passada apresentou alta de 1,4%, encerrando a semana em 45,4 US$/barril, com oscilação entre 44,6 a 46,3 US$/barril. No momento temos uma maior otimismo em relação a recuperação econômica global e a uma melhora no consumo de petróleo. Neste ambiente nossa expectativa para esta semana é de preços relativamente estáveis com viés de alta.

Para a entressafra podemos esperar preços médios mensais de petróleo WTI entre 42 e 45 US$/barril. Está fundamentando esta faixa de preços dois argumentos principais. O primeiro, altista, é uma retomada da demanda e da atividade econômica devido ao apoio dos governos e a um melhor controle da pandemia do Covid 19. Em ambos os casos, esperamos uma retomada cautelosa pois o desemprego e a situação fiscal debilitada dos governos são fatores limitantes.

O segundo argumento, baixista, é o excesso de oferta de petróleo, que só se mantém com preços firmes devido ao controle da oferta pela OPEP +. E sabemos que controle artificial de oferta não dura para sempre.

Açúcar-NY: os preços na semana passada (tela de Mar/21) tiveram oscilação entre 14,40 a 14,70 com média de 14,55 cents/lb, queda de 2,6% em relação a semana anterior. A presença da Índia no mercado, com produção esperada relativamente grande e exportação potencial de 5-6 mi t de açúcar, é um argumento baixista. Esta condição fica reforçada pela venda de fundos para realização de lucros. Diante disto, para esta semana estamos com a expectativa que os preços permaneçam relativamente estáveis .

Para a entressafra, vai ficar evidente a boa disponibilidade de açúcar no mercado externo devido à presença do Brasil e da nova safra da Ásia, que será grande. Além disso, a nova safra brasileira de 2021/22 deve continuar sendo muito açucareira, reforçando a boa disponibilidade do produto no mercado internacional. Vemos preços médios mensais de açúcar em NY entre 12,50 e 14,50 cents/libra-peso com viés de baixa.

Mercado interno

Região Centro-Sul.

Açúcar: na semana passada o preço médio em São Paulo apresentou queda de preços de 2,6%. O preço médio ficou próximo de R$ 98,40/saca 50kg, com impostos. O prêmio do mercado interno sobre exportação atingiu na semana passada cerca de 10%, o que é baixista para preços. Para esta semana estamos com a expectativa que os preços permaneçam relativamente estáveis com viés de baixa.

Para a entressafra, dois efeitos vão contaminar os preços do açúcar no mercado interno. E os dois são baixistas. O primeiro é o que comentamos sobre o mercado internacional do produto que deve mostrar viés de baixa para preços. O segundo é a taxa de câmbio, que pode ter um teto em torno de 5,30 R$/US$. Ou seja, o preço do açúcar de exportação em Reais deve mostrar uma ligeira tendência de baixa e esta condição tira o suporte para preços altos do produto no mercado interno. Nossa expectativa é de que os preços médios mensais permaneçam relativamente estáveis com viés de baixa.

Etanol: o preço médio do etanol hidratado na semana passada em São Paulo apresentou viés de baixa e oscilou em torno de R$ 2,48/litro, com impostos. No caso do anidro os preços ficaram estáveis em trono de R$ 2,55/litro Esperamos para esta semana etanol com relativa estabilidade de preços com viés de baixa.

Para a entressafra, como no caso do açúcar, dois efeitos baixistas vão afetar os preços da gasolina e etanol no mercado interno. Conforme já comentamos anteriormente, tanto o mercado de petróleo como nossa taxa de câmbio mostram um viés de baixa. No caso do câmbio, as importações de etanol americano acontecem, o que aumenta a oferta interna do produto, além de uma produção doméstica maior que o previsto. Nossa expectativa é de que os preços médios mensais da gasolina e etanol permaneçam relativamente estáveis com viés de baixa.

Fonte: Canarural